Economia em ‘modo eleição’ é risco para contas públicas, dizem analistas em reunião com o BC

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    “No geral, todo mundo está batendo na tecla de que a eleição já começou”, resumiu um participante, que falou sob a condição de anonimato

    Por Redação Jornal de Brasília

    19/08/2021 7h16

    Uma reunião realizada nesta quarta-feira, 18, entre diretores do Banco Central e analistas de instituições financeiras deixou clara a preocupação que está na mente do mercado: a economia entrou no “modo eleição”, e isso significa um risco enorme para as contas públicas, em um momento de projeções piorando tanto para a inflação quanto para os juros e o PIB em 2022.

    “No geral, todo mundo está batendo na tecla de que a eleição já começou”, resumiu um participante do encontro, que falou sob a condição de anonimato. “O viés mais negativo para o fiscal e o aumento da incerteza está se refletindo no crescimento do ano que vem sem necessariamente uma contrapartida da inflação.” Ou seja, o mercado já prevê um crescimento menor da economia, em um cenário de inflação ainda alta e taxas de juros maiores.

    Um dos reflexos do cenário mais incerto é sentido na taxa de câmbio. Nesta quarta-feira, o dólar subiu 2% e encerrou o dia cotado a R$ 5,3749, maior valor desde 4 de maio, em meio à preocupação de investidores com o cumprimento do teto de gastos. Nesse ambiente, a divulgação da ata da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) contribuiu para elevar os temores e fez a Bolsa encerrar o pregão com queda de 1,07%.

    A ata do Fed indicou que alguns participantes do comitê de política monetária dos EUA acham apropriado iniciar a redução da compra de títulos – uma medida adotada para estimular a atividade – antes de a economia americana alcançar as condições necessárias para reduzir outros estímulos, como a taxa de juros. Para os dirigentes do Fed, os requisitos para a alta dos juros diferem dos utilizados na compra de títulos públicos.

    “A situação fiscal continua a pesar aqui, assim como a política, com a briga entre poderes, e certamente essa combinação de ruídos atrapalha, no momento em que o foco global está em quando se iniciará o tapering (redução de estímulos) nos Estados Unidos”, diz Ricardo Campos, presidente da Reach Capital.

    BC busca sentir a temperatura do mercado

    O BC faz reuniões periódicas, fechadas (e virtuais, nesse período de pandemia), com analistas do mercado financeiro para colher informações para a confecção do seu Relatório Trimestral de Inflação (RTI). O próximo documento será divulgado no dia 30 de setembro.

    Participaram 42 analistas do encontro desta quarta-feira. Pelo BC, estavam os diretores de Política Econômica, Fabio Kanczuk, de Política Monetária, Bruno Serra, e de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos, Fernanda Guardado. Eles não respondem a perguntas, apenas ouvem o que os analistas apresentam. Ainda serão realizadas mais duas reuniões nesta semana, com outras instituições.

    Segundo fontes presentes ao encontro, os analistas indicaram que a projeção mais baixa para a taxa Selic no fim do ciclo de alta iniciado este ano era de 7,5%, variando a até 8,5%. “Mas todas com viés de alta”, destacou um profissional.

    Para a inflação, a expectativa para este ano ficou em torno de 7,5% e, para 2022, variam de 3,5% (centro da meta perseguida pelo BC) até um pouco acima de 4%. “Há pouca gente convencida de 3,5%, e quem se manifestou nesse sentido apontou viés para cima”, disse um dos participantes.

    No âmbito fiscal, os participantes ouvidos relataram preocupação com a preservação do teto de gastos, em meio à discussão sobre as mudanças no pagamento dos precatórios e ao financiamento do Auxílio Brasil, novo nome dado ao Bolsa Família. “Sem dúvida o risco fiscal foi dominante nessa conversa, algo que todos demarcaram e que é a preocupação de todo mundo”, disse outro economista que participou do e ncontro. “Eu fiquei um pouco impressionado com a preocupação geral.”

    Estadão Conteúdo

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