AFINAL, DINHEIRO PODE OU NÃO ‘COMPRAR’ FELICIDADE?

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  • por Leosma liripio às 06h33 22/10/2021

Primeiro, é preciso definir o conceito de felicidade, amplo e subjetivo, mas que, em geral, pode ser considerado um estado emocional positivo. À sensação de felicidade estão associados o prazer, o bem-estar e a percepção de sucesso.

– Tem muito a ver com satisfação e o quanto a expectativa das pessoas está sendo cumprida na vida que elas têm. Se existe uma distância muito grande entre o que você consegue e o que você espera, mais insatisfação haverá – resume a psiquiatra e pesquisadora na área de bem-estar

Ganhar a lotaria ou doar um prémio monetário que fará outra pessoa mais feliz? Foi este o desafio lançado pelos autores de um estudo científico, publicado no  boletim da Academia Nacional das Ciências dos Estados Unidos, que concluiu que a sensação de bem-estar e tranquilidade aumenta com o rendimento obtido. Mas há um senão. 

Depois de entrevistarem cerca de 300 estudantes alemães, os autores da investigação, Armin Falk e Thomas Graeber, referem que “O comportamento pró-social não aumenta inequivocamente a felicidade, porque os gastos pró-sociais requerem abrir mão de algo, o que pode diminuir a felicidade por si só”.

Durante a investigação, os participantes tiveram que decidir se recebiam 100 euros ou doavam 350 euros para salvar uma vida. Cerca de 60% dos alunos optaram pela doação e garantiram estar satisfeitos. Por sua vez, quem recebeu os 100 euros para proveito próprio demonstrou níveis de felicidade mais elevados a longo prazo. 

Ainda assim, a felicidade revelou-se “lucrativa” para quem doou dinheiro.  Na saúde, ficaram a ganhar, pois os níveis de pressão arterial diminuíram consideravelmente, concluíram os investigadores. 

Mas se dinheiro pode comprar felicidade, por que não compra? Porque não sabemos gastar, argumenta a pesquisadora e professora Elizabeth Dunn, do Departamento de Psicologia da Universidade de British Columbia.

“As pessoas não conhecem os fatos científicos sobre felicidade, o que a traz e o que a mantém. Então, elas não sabem como usar o dinheiro para comprá-la”, escrevem ela e outros dois pesquisadores em um dos seus artigos sobre o tema.

Para Elizabeth, não é surpreendente que um milionário que nada entende de vinho tenha uma adega em casa – e prefira mesmo é beber cerveja. “E não é surpreendente que pessoas com muito dinheiro não tenham vidas mais felizes”, escreve. O dinheiro é uma oportunidade para a felicidade, mas nem todos sabem como aproveitá-la.

A pesquisadora explica que investir em experiências é melhor, pois nos adaptamos às coisas de forma muito rápida. Depois de passar dias selecionando o piso perfeito para o apartamento, em pouco tempo aquilo será apenas o chão em que você pisa – e ele será o mesmo dia após dia, assim como os colares, os casacos, o sofá novo. Mas a memória de ver animais em um safári continua causando uma boa sensação depois de um tempo. Além disso, revisitamos essas memórias com maior frequência: é mais comum pensar sobre a viagem à África do que parar durante o dia para apreciar o piso da cozinha.

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