Triste realidade: 30 mulheres são vítimas de violência por dia em Goiás

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Em 2017 Montenegro também foi cede para a formação de 23 policiais militares . Foto: Ascom BM

Postado em: 22-10-2021 às 14h58
por Conseg Aparecida de Goiania

Nos últimos dias foi notável o aumento dos casos de violência contra a mulher no Estado. Somente neste ano, Goiás já registrou, até o mês de junho, 26 vítimas de feminicídio. Já os registros de agressões a mulheres somam, no período, mais de 5 mil casos, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO).

Neste cenário, apenas em Goiânia, o Batalhão Maria da Penha da Polícia Militar de Goiás (PM-GO) estima que há cerca de mil mulheres vítimas de violência doméstica sendo assistidas pelo Batalhão, que chega a atender cerca de 700 ocorrências por mês, em uma média diária que chega a 30.

Para compreender melhor o crescimento da violência contra a mulher em Goiás, J.E.Brasil conversou com a Comandante do Batalhão Maria Da Penha da Polícia Militar em Goiânia, Tenente Coronel Neila de Castro Alves. Segundo ela, o aumento no número de casos se dá pelo aumento da conscientização das mulheres acerca da situação de violência. “Com a conscientização, aumentam o número de denúncias e de encaminhamentos e, com isso, temos o aumento do número de medidas protetivas”, afirma.

Ela destaca que o trabalho do Batalhão Maria da Penha é, principalmente acompanhar e fiscalizar o cumprimento das medidas protetivas. “O primeiro atendimento é feito por unidades de área, e a partir da expedição da medida protetiva é que o Batalhão atende as mulheres vítimas de violência e familiar de forma particularizada e pode dar o apoio, fazer os encaminhamentos, um trabalho contínuo”, destaca.

Desafio

Para a Tenente Coronel, o principal desafio enfrentado hoje na questão do combate à violência contra a mulher é o medo da própria vítima em realizar a denúncia. “Não é questão de não confiar na polícia, mas sim o medo de perder o laço com o agressor ou agressora, ou medo de perder o apoio financeiro, por exemplo. A mulher sofre porque para chegar a uma agressão física, normalmente ela já passou por outros tipos de violência, como psicológica ou moral, então a nossa dificuldade é que a mulher tenha essa compreensão, de que a violência física decorre de outras agressões”, pontua.

Há quase 22 anos na Polícia Militar, a Tenente Coronel Neila se sente abençoada por estar à frente do Batalhão Maria da Penha.  “É um privilégio estar à frente deste trabalho com essa causa tão importante que é quebrar o ciclo da violência contra a mulher. No Batalhão, comandado por uma mulher, a maioria também é mulher buscando a melhora na qualidade de vida das mulheres”, destaca. Ela reforça ainda a relevância de que as mulheres busquem ajuda. “A mulher tem no Batalhão Maria da Penha um apoio. Ela não está sozinha nessa luta, e a denúncia é o principal meio para quebra desse ciclo da violência. Para denunciar, ligue 190, lá, a ligação é gravada e temos a orientação para esse tipo de atendimento prioritário”, finaliza.

Prioridade

Em um cenário em que a dependência financeira é um dos fatores que levam as mulheres a não denunciar seus agressores, o Plenário da Câmara aprovou ontem (21), o Projeto de Lei 3878/20, do deputado Capitão Alberto Neto (Republicanos-AM), que reserva 10% das vagas intermediadas pelo Sistema Nacional de Emprego (Sine) às mulheres em situação de violência doméstica ou familiar. Conforme a proposta, não havendo o preenchimento das vagas por ausência de mulheres em situação de violência doméstica ou familiar, as vagas remanescentes poderão ser preenchidas por mulheres e, não havendo, pelo público em geral.

O texto, que agora irá ao Senado, é um substitutivo elaborado pela relatora, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que destacou a importância da aprovação. “Toda proposta que vise criar condições que auxiliem as mulheres a se manterem afastadas das situações de violência doméstica é bem-vinda e deve ser analisada com o máximo empenho e rapidez”, disse.

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