Padre Robson da Basílica do Divino Pai Eterno em Trindade pode ser preso a pedido da Polícia Federal

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Pop star da Igreja Católica é alvo de pedido de prisão preventiva encaminhado ao STJ. Defesa disse que já teve acesso a inquérito

por Allen Rib

19/11/2021 13:04,atualizado 20/11/2021 08:21

Goiânia – Um dos religiosos mais famosos e populares da Igreja Católica no Brasil e que é figura central em um escândalo de suposto desvio de dinheiro doado por fiéis em Goiás, padre Robson de Oliveira Pereira, de 47 anos, pode ser preso preventivamente por corrupção ativa. A prisão será decretada se o Superior Tribunal de Justiça (STJ) acatar o mais recente pedido feito pela Polícia Federal (PF).

O STJ informou ao JEB, nesta sexta-feira (20/11), por meio da assessoria de imprensa, que não divulga informações sobre ações originárias em segredo de justiça, as quais estão sob o comando dos respectivos relatores, sob pena de prejuízo ao andamento das investigações.

O ministro-relator do novo pedido contra padre Robson, Benedito Gonçalves, ainda vai analisar a solicitação, protocolada pela PF na quarta-feira (17/11). Um áudio anexado ao processo indicaria compra de decisão de desembargadores favorável ao religioso na Justiça de Goiás, por R$ 1,5 milhão, em caso relacionado à aquisição da fazenda em Abadiânia, a 90 km da capital Goiânia.

“Até o momento, em razão da gravação ambiental realizada por Robson, sabemos que o pagamento da propina ocorreu, mas ainda não temos a informação de como se operacionalizou, nem quem recebeu o dinheiro a mando ou em nome de desembargado(res)”, diz um trecho do pedido de prisão da PF.

Essa, segundo o inquérito da PF, é “a razão da necessidade de aprofundamento das investigações para que esse fato seja elucidado para o bem da sociedade goiana e do sistema judiciário e não continue coberto pelo manto da impunidade dos ‘poderosos’”.

Acesso à investigação
O advogado Cleber Lopes disse que defesa do padre já tem acesso aos autos. “Por isso mesmo, nós estamos dizendo que não há nada de novo nesse pedido de prisão”, afirmou o jurista. Ele também confirmou o teor das informações sobre o pedido de prisão contra o religioso, que, em maio, conseguiu no STJ manter suspensas investigações criminais relacionadas a desvio de dinheiro de doações de fiéis.

A investigação da PF foi iniciada logo depois de o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) remeter, em março deste ano, todo o processo para o STJ, que é o foro para investigação criminal contra desembargadores, por determinação de Gonçalves. A investigação teve origem na Operação Vendilhões, deflagrada em agosto de 2020, pelo Ministério Público de Goiás (MPGO).

O pedido de abertura da apuração preliminar partiu da subprocuradora-geral da República Lindôra Araújo. No documento, ela apontou que os indícios de corrupção “justificam a instauração de inquérito para que seja identificado com precisão o processo em relação ao qual teria sido supostamente paga a propina e os desembargadores que supostamente teriam recebido os valores indevidos”.

Interceptação telefônica
O suposto esquema de propina foi revelado em conversa gravada entre o padre e o advogado Cláudio Pinho, um de seus defensores, alvo de interceptação telefônica.

Em uma das conversas interceptadas, padre Robson teria se comprometido a desembolsar R$ 750 mil para divisão entre três desembargadores, que reverteram em segunda instância uma decisão desfavorável à Afipe em processo relacionado à aquisição de uma fazenda.

Os alvos da sindicância são os desembargadores Orloff Neves Rocha e Amélia Martins de Araújo, além do juiz substituto em segundo grau Roberto Horácio de Rezende. Esses dois últimos requisitaram a sindicância e colocaram à disposição da Justiça o sigilo fiscal e bancário.

Em 2019, em julgamento de recurso na 1ª Câmara Cível do TJGO, o padre conseguiu reverter uma sentença desfavorável à Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), presidida por ele até ser deflagrada a Operação vendilhões.

Os magistrados reformaram decisão até então favorável a um empresário que vendeu uma grande fazenda para a associação, em Goiás, mas que, em seguida, reclamou de ter levado calote de R$ 15 milhões.

Desconhecimento
O TJGO informou ao JEB que não tem conhecimento do pedido da Polícia Federal e, por essa razão, não se pronunciará sobre o assunto. Além disso, não divulgou detalhes da sindicância porque “esse processo corre em sigilo”.

O Santuário Basílica de Trindade, que era comandado pelo padre até agosto do ano passado, informou que ele continua afastado das missas.

Sindicância arquivada
Em resposta ao Metrópoles, a Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego) informou que a sindicância instaurada pelo TJGO, a pedido dos próprios desembargadores, já foi concluída. A investigação não teria constatado nenhuma irregularidade.

De acordo com a entidade, os desembargadores colaboraram com as investigações. “Tendo se colocado à disposição do STJ, inclusive para acesso aos seus sigilos bancários”, disse.

A Asmego observa ainda que: “Infelizmente, magistrados podem ser vítimas de profissionais que agem de má fé e não cumprem o Código de Ética que os rege. A associação tem a certeza de que os fatos serão esclarecidos com precisão e reafirma confiança nas instituições de Justiça”.

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